segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O amor do pescador

 Ela chorou por ele, chorou lágrimas doces, e ele saboreou todas elas como se fossem o mais doce chocolate já existente. Ela era algo irreconhecível, algo indefinido, mas era o ser mais admiravelmente amável, jamais visto pelo ser humano. Sua doçura encantou o pobre pescador, ele nunca vira algo tão belo, tão encantador.
 Em seu pensamento, ele a salvou, salvou a garota vinda do mar. A trouxe para terra em sua rede, mas ela jamais poderia viver ali, seu lugar era na água, no interior do mais profundo mar. Mas o amor do pescador pelo ser estranho e encantador era grande demais para deixa-lá ir, era doloroso demais viver sem a doçura de suas lágrimas. Seu amor era egoísta, era possessivo.
 Ela chorou a última lágrima e o deixou, deixou-o na solidão, na solidão do homem sem a mulher. Mas ela também o amava, também sentia sua falta, então voltou à terra e lhe disse que tinha vidas incontáveis para ele, que poderia usar todas elas para ficar ao seu lado, e usou.

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